Salar de Tara e suas lindas catedrais!

No terceiro dia do nosso roteiro de 7 dias pelo Atacama fomos conhecer o Salar de Tara. Ele fica a cerca de 140 quilômetros do centro de SPA, próximo à divisa com a Argentina e a Bolívia.

Neste passeio chegamos aos 4800 metros de altitude, a maior entre os passeios mais comuns para se fazer no Atacama.

Reserva Nacional los Flamencos

Esse passeio, de dia inteiro, é um pouco cansativo, pois passamos a maior parte dele na estrada, com algumas breves paradas no caminho.

Diferentemente do passeio pelas Piedras Rojas, Lagunas Altiplânicas e Salar de Atacama, esse passeio foi realizado pela própria agência que contratamos. A van era velha, mas cumpriu sua função. Eles nos pegaram entre 8-9h no hotel.

Vulcão Licancabur

Logo de cara subimos cerca de 2 mil metros de altitude (até os 4 mil), passando ao lado do fabuloso vulcão Licancabur com seu formato clássico de vulcão.

Você consegue vê-lo de praticamente qualquer ponto de SPA. Ao lado dele está seu irmão descabeçado Juriques. Juntos são protagonistas de uma lenda muito interessante.

Vulcão Licancabur

Segundo ela, haveria um triângulo amoroso entre Licancabur, Juriques e Quimal, a qual estaria (fisicamente) entre os dois.

Quimal e Licancabur eram apaixonados um pelo outro, mas Juriques também a amava e morria de ciúmes do irmão.

Um dia, invejando Licancabur, o preferido do povo, do pai (o vulcão Lascar que subimos!) e de Quimal, Juriques tenta possuir Quimal à força.

Licancabur não deixou barato e os dois iniciaram uma briga épica, culminando num desequilíbrio em toda a região. Como punição, Lascar corta a cabeça de Juriques e leva Quimal para longe.

Outra versão seria que Licancabur teria cortado a cabeça de Juriques e Lascar, como punição, o afastou de sua amada.

Quimal (que na verdade é só uma montanha, não um vulcão, pois seu topo nunca se abriu) hoje vive na cordilheira de Domeiko, paralela à Cordilheira dos Andes, sendo observada pelos três vulcões.

Curiosamente, próximo ao solstício de inverno a sombra de Licancabur e Quimal se tocam! Tão lindo!! Adoro essas lendas, tão mais criativas e interessantes que a realidade!

Há um mirador onde algumas agências fazem a parada para o café da manhã com vista para os dois vulcões.

Reserva Nacional los Flamencos

Após uma longo trecho de estrada, chegamos na Reserva Nacional Los Flamencos. Primeiramente nos chama a atenção os Monjes de la Pacana – erupções vulcânicas, moldadas pela erosão eólica e gelo – e ao fundo o Salar de Águas Calientes I.

A rocha mais famosa, “Pedra do Índio”, “Moai do Atacama” ou “Guardião” , mede cerca de 25 metros de altura e, eventualmente, dá para ver a face de um índio no terço superior. Na época não vi, mas agora até vejo!!

Reserva Nacional los Flamencos
Você vê a micro Barbara ou só o índio?

Foi nesta região que fizemos nossa pausa para o café da manhã. Éramos o único grupo! Ventava horrores, fazia bastante frio e, por consequência, minha luva ficou toda melecada de doce de leite!!!! Mas foi uma experiência muito gostosa e gelada!!

Catedrais de Tara

Neste passeio não há banheiros, então prepare seu agachamento! Como disse um guia nosso, aproveite para fazer suas oferendas para PachaMama!!

Ao sair da região dos monges, o caminho segue pelo meio do deserto, sem qualquer sinalização ou trilhas demarcadas.

Catedrais de Tara

Era somente areia, montanhas e aquele céu azul perfeito até chegarmos na região das Catedrais de Tara – uma belíssima formação produzida por erupções vulcânicas. Lá presenciamos a habilidade do motorista, pois a maioria estava de 4 X 4 e nós não!

Chegamos antes de todos os grupos e pudemos curtir aquele cenário maravilhoso sozinhos, escutando somente o som do vento.

Salar de Tara

Localizado a cerca de 4400 metros de altitude, o Salar de Tara é um grande alagado contendo regiões com vegetação bem verdinha contrastando com as montanhas que o cercam. Aliás, ele nada mais é que a caldeira do vulcão Vilama.

O guia nos deixou próximo às Catedrais e fomos descendo por uma trilha demarcada até a base do Salar. Caminhe somente pelas áreas demarcadas, a fim de preservar o local, e aproveite o lindo visual.

Catedrais de Tara
De um lado da trilha as Catedrais de Tara

Prepare sua máquina! Certamente você irá tirar muitas fotos da paisagem e dos flamingos (lá é possível avistar as três principais espécies da região).

Salar de Tara
Do outro, o Salar de Tara

Algumas agências fazem aqui a parada do café da manhã ou a parada para o almoço.

Parece uma pintura!

Obsidianas

Ficamos cerca de 1 hora no Salar de Tara antes de iniciarmos o caminho de volta, que não teria paradas.

No entanto, antes de chegarmos na região dos Monges, paramos no meio do nada para ver as pedras vulcânicas do deserto, chamadas Obsidianas ou vidro vulcânico, resultado de erupções.

Reserva Nacional los Flamencos
Alguns desses pontos mais escuros eram obsidianas.

Em um primeiro olhar, parecem sem graça, mas quando você as quebra, o interior é lisinho e brilhante. Cuidado com suas arestas após quebra-las, pois são bem cortantes.

Outras possíveis paradas ao longo do caminho

  • Bofedales ou Humedal de Quepiaco, um aquífero no meio do deserto onde há bastante vegetação verde, lar de muitas aves e camelídeos (não lembro se vimos só vicunhas ou se também vimos llamas);
Bofedales ou Humedal de Quepiaco
Bofedales ou Humedal de Quepiaco
  • Mirador de Pujsa de onde é possível avistar o salar de Pujsa;
  • Laguna diamante da qual é possível avistar o Cerro Pili ao fundo;
  • Outras lagunas.
Deserto do Atacama
Um lugar mais lindo que o outro!

Almoço

Foram cerca de 1h30-2h de viagem até chegarmos no centro de SPA, onde almoçamos. Tenho quase certeza que foi no Cabañas Chiloé.

O almoço de três passos com bebida estava incluído no pacote. A comida tava bem gostosa. De lá, fomos deixados próximo à agência.

Considerações Finais

Agência – apesar da van meio passada, o restante foi demais! Nota 9 de 10.

Passeio – Imperdível. Tem que estar no seu roteiro! Passeio de dia inteiro (8/9h às 17h).

Salar de Tara

O que levar

Lanchinho. Apesar de ter as refeições incluídas (café da manhã e almoço), elas são muito espaçadas. Certamente vai bater uma fominha no meio do caminho.

Vista-se em camadas (no mesmo dia você pega muito frio e muito calor) e com roupas e sapatos confortáveis, casaco corta vento e quentinho, luva, cachecol, gorro. Use protetor solar e protetor labial.

Papel higiênico e/ou lenços umedecidos, álcool gel e um saquinho de lixo. Não há banheiros no caminho. Li em alguns blogs de quem foi recentemente que agora tem banheiro lá no Salar, por 500 pesos.

Muita água, para ajudar com os efeitos da altitude. Um chá de coca ou mascar folhas de coca ajudam muito também. E até mesmo inspirar um pouco de álcool.

Para evitar enjoos, considere levar um remedinho também. Depois que sai do asfalto, o terreno é bem irregular. Caminhe devagar.

Não há entrada a ser paga!!

Dá para fazer por conta? Não. Depois que sai da estrada, não tem uma placa, uma trilha demarcada, nada. Só quem conhece bem o lugar sabe como chegar ao Salar.

Temperatura na primeira parada entre 0-10°C (acho que pegamos menos de zero) e na última parada 25-30ºC.

Não deixe de ver as dicas gerais para sua viagem ao Deserto do Atacama.

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