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Foz do rio São Francisco: um passeio inesquecível

Não sei para vocês, mas para mim o Velho Chico é o maior símbolo do Nordeste. Rio genuinamente brasileiro, tem sua nascente em Minas Gerais e a foz do rio São Francisco entre os estados de Alagoas e Sergipe.

Sua importância econômica, social e histórica é irrefutável, principalmente no sertão nordestino, uma das regiões mais secas do mundo. Fonte de vida e riqueza, não é de se surpreender que tenha recebido um apelido tão carinhoso: Velho Chico!

Ao longo dos seus 2863 quilômetros, são diversos os pontos que atraem turistas, sendo um deles o encontro do Velho Chico com o Oceano Atlântico.

Não desmerecendo os outros 2850 km, mas os 13 km finais até a foz são os mais belos. Inicialmente vemos diversos coqueirais, depois entramos na área do mangue até chegar nas belíssimas dunas em tons dourados. Simplesmente maravilhoso!

Foz do rio São Francisco

A convite do Ricardo Tuor fomos conhecer a foz do rio São Francisco durante nossa road trip por Sergipe e Alagoas.

Como chegar na Foz do rio São Francisco

A foz do Rio São Francisco encontra-se na divisa dos estados de Alagoas e Sergipe, entre as cidades de Piaçabuçu e Brejo Grande, respectivamente.

Foz do rio São Francisco
Piaçabuçu – Alagoas

Para quem sai de Maceió, são cerca de 140 km até Piaçabuçu. Já quem sai de Aracaju, são cerca de 110 km até Brejo Grande. Nos dois casos a viagem leva cerca de 2h-2h30.

Você pode ir de carro alugado, com agência de viagens ou de transporte público. Neste último caso, não há ônibus diretos.

Nós escolhemos alugar um carro em Aracaju, portanto não posso opinar sobre as condições das estradas alagoanas neste trecho.

Saindo de Aracaju

Já o trecho sergipano é de uma beleza única. A estrada é de pista única com duplo sentido de tráfego. Há trechos em estrada de terra, porém em boas condições.

No entanto, o trecho final, cerca de 10-15 km até chegar ao centro de Brejo Grande, a estrada, apesar de asfaltada, estava em péssimas condições. Uma quantidade absurda de buracos, de pequenos a grandes.

Este trecho nos tomou cerca de 30 minutos e muitas vezes tivemos que invadir a pista contrária para desviar dos buracos. Por este motivo é melhor evitá-lo durante a noite.

Quais modalidades de passeios são oferecidas para visitar a Foz do Rio São Francisco?

Você pode conhecer a Foz do rio São Francisco de três formas: de barco, de buggy ou de barco + buggy, com ida por um meio e volta pelo outro.

Nos casos que incluem o buggy, se chega à foz atravessando as dunas, passando pelos coqueirais e manguezais e, pelo que li, o roteiro inclui skibunda nas dunas.

Foz do rio São Francisco

Seja qual for sua opção, os passeios têm duração entre 3-4h, com saídas pela manhã, geralmente por volta de 9h, e tarde, por volta das 14h.

Como foi nossa experiência

Escolha do passeio

Após ler muitos relatos, decidimos pela opção “barco”, afinal nós queríamos mesmo era navegar pelas águas do Velho Chico. Sem contar que já tínhamos um passeio de buggy programado para outro dia durante essa viagem.

Foz do rio São Francisco

Entrei em contato com diversas agências. Encontrei-as nas minhas pesquisas no google, mas principalmente no TripAdvisor, que acho que é a melhor ferramenta na hora de planejar onde ir e como ir!

O TripAdvisor é um dos meus apps de viagem preferidos. Saiba quais são os outros que sempre utilizo para organizar minhas viagens.

Como não gostamos de passeios com muita gente (algo que ficou ainda mais evidente em tempos de pandemia), comecei a entrar em contato com diversos barqueiros e foi assim que conheci o Ricardo, que nos convidou para esse passeio incrível.

Sobre o Ricardo Tuor

O Ricardo atua no setor turístico desde criança, quando vendia bebidas aos turistas que passavam pelo porto de Piaçabuçu.

Tomou gosto pela área, comprou seu barco e começou a oferecer passeios pela Foz do rio São Francisco. Um barco rústico em madeira, com um pequeno motor a diesel, autêntico da região, que ele conduz hábil e tranquilamente recostado sobre a borda da popa, curtindo a paisagem como seus passageiros.

Foz do rio São Francisco

O Ricardo oferece passeios compartilhados ou particulares e nas três modalidades anteriormente citadas.

Desde o primeiro contato ele foi super atencioso. Não só nos tirou todas as dúvidas sobre o passeio, mas também sobre nossa viagem.

Por exemplo, não estava encontrando informações atualizadas sobre a balsa entre Brejo Grande e Piaçabuçu e, prontamente, ele me passou todas as informações necessárias.

Além disso, no dia do nosso passeio, programado para o período da tarde, se manteve em contato com a gente o tempo todo e nos ajudou ligando para informar à balsa que os estávamos aguardando em Brejo Grande.

Inclusive, ele se ofereceu para nos pegar em Brejo Grande para que nosso passeio não fosse prejudicado já que a balsa estava demorando horrores para chegar.

O Ricardo é aquele tipo de pessoa que não tem como não gostar. Um ser humano de coração enorme, super atencioso, que transformou um passeio já incrível numa experiência mais que bárbara!

Foz do rio São Francisco

Seu amor pelo que faz é facilmente perceptível. Não tem coisa melhor que trabalhar com aquilo que a gente ama, né? E isso transparece em cada uma de nossas ações!

Conhecendo a Foz do Rio São Francisco

Depois de muita tensão aguardando a balsa (com direito a sair correndo do restaurante com a comida na mão quando ela chegou), chegamos em Piaçabuçu por volta das 14h15. Estacionamos o carro próximo ao porto, onde o Ricardo nos aguardava.

No porto você poderá comprar bebidas, comidinhas (caso já não tenha pedido ao seu barqueiro para comprá-los) e até lembrancinhas. Tinham uns chapéus lindos por lá por preços excelentes. Ah! Aproveite para usar os banheiros, que estavam limpos quando os usamos!

Porto de Piaçabuçu, uma das cidades que ficam próximas à Foz do rio São Francisco
Porto de Piaçabuçu

Iniciamos o passeio por volta de 14h30. São 13 km até a foz, cerca de 40 minutos de navegação. As paisagens são incríveis, você nem vê o tempo passar.

No caminho fomos conversando com o Ricardo que nos contou sua história e falou um pouco sobre o turismo em Piaçabuçu. Disse que, como a maioria das pessoas vêm de um bate e volta, a cidade têm pouca estrutura, com poucas opções de pousada e vida noturna.

As duas faces de uma mesma moeda

Nos contou também sobre como a hidrelétrica de Xingó e a transposição do rio afetou aquela região. Quando chegamos na foz nos mostrou um farol parcialmente engolido pelo mar.

Aquele farol ficava em uma porção de terra cerca de 1km à frente, onde antes havia um povoado que, com a redução do fluxo de água do rio após a construção da hidrelétrica e transposição, fora engolido pelo mar.

A cada ano que passa a foz do Rio São Francisco é deslocada para o interior do continente, pois a força do mar é muito maior que a do rio. Se o rio já era enorme atualmente, imagina como era antes dessas obras…

Em outro ponto da viagem ouvimos a opinião de quem foi beneficiado pela barragem. Mais nos próximos capítulos!

Chegamos na Foz!

Ali onde o rio encontra o mar, o Ricardo nos deixou e falou que tínhamos o tempo que quiséssemos para aproveitar. Mas nos recomendou voltarmos até umas 16h30 para seguirmos para outro ponto das dunas, onde elas são mais altas, para curtir o pôr do sol.

Caminhamos pela praia e depois pelas dunas. Vimos algumas cabras ao longe nas dunas, que pertencem a um quilombo da região, tiramos umas fotos com alguns coqueiros solitários e sentamos por um momento para apreciar aquele fenômeno, ouvir os sons do mar, das aves, do vento, da areia.

Antes de seguirmos, aproveitamos para nadar na água salobra e morna. Somente mais um casal ali naquele momento. Como é gostoso o som da natureza!

Foz do rio São Francisco

Sempre pergunte o melhor ponto para entrar na água, especialmente se não souber nadar. O rio é muito fundo e em um passo, literalmente, já não dá mais pé.

Foz do rio São Francisco

Pôr do sol nas dunas

Fomos então para a segunda parada, já no caminho de volta, para curtir o pôr do sol. Subimos as dunas até onde faz divisa com o manguezal. De um lado o mangue, do outro as dunas, e à nossa frente o rio.

Pôr do sol na Foz do rio São Francisco

Mesmo semi encoberto, foi um dos pores do sol mais lindos que já presenciei. Somente nós 3 ali naquele momento. As vantagens de se fazer um passeio particular e estar por conta.

Nos passeios com agência o retorno se dá antes mesmo do pôr do sol, uma das melhores partes desse passeio.

O dia que vi o quanto a lua ilumina!

Quando iniciamos nosso retorno o sol já tinha se posto e a lua nascia. Não estava cheia, mas estaria dali uns 2 dias.

E aí se iniciou o que considerei como o ponto alto deste passeio: percorrer o rio sob a luz do luar!

Nunca na minha vida estive em um lugar totalmente desprovido de iluminação artificial. Logo, nunca tinha percebido o quanto a lua cheia (ou quase) poderia iluminar nosso caminho.

Sério, me arrepio ainda ao recordar o reflexo da lua nas águas da foz do rio São Francisco, emoldurado pelo manguezal e coqueirais que havíamos visto mais cedo. Nem parecia que estávamos seguindo pelo mesmo caminho. Tudo parecia novo!

Luz cheia na Foz do rio São Francisco
Tudo isso é só a luz da lua!!

Novamente a volta passou muito rápido. Que pena. Queria viver aquele momento por mais tempo. Não tem como descrever o que foi esse retorno, essas paisagens, essa lua! Vá viver essa experiência bárbara e veja com seus próprios olhos!

Nessas horas percebemos como não precisamos de muita coisa para sermos felizes. E para mim isso se intensificou ainda mais após o acidente. Nossa vida quase nos foi tirada e eu ainda não tinha visto como a lua brilhava!

Saiba mais como foi nosso acidente na Namíbia e seus desdobramentos.

Veredito

Demos muita sorte do nosso caminho ter cruzado com o do Ricardo. Toda a experiência, desde o primeiro contato até o momento que nos despedimos no porto, foi maravilhosa.

Recomendo o Ricardo de olhos fechados. Pode ir sem medo! Ele tornará seu dia muito especial e inesquecível!

Mais informações no site do Ricardo Tuor, Instagram, Facebook ou pelo whatsapp.

Dicas finais

– Se estiver em Alagoas ou Sergipe, não deixe de forma alguma de fazer o passeio para a Foz do rio São Francisco. É uma experiência única!

Foz do rio São Francisco

– Se possível, evite fazer um bate e volta. A viagem é longa e cansativa e você não conseguirá aproveitar apropriadamente esse passeio, mesmo que esteja fazendo com agência.

Você pode dormir em Piaçabuçu, Brejo Grande ou até mesmo em Penedo, a cerca de 28 km, como nós fizemos. Deixe para seguir viagem na manhã seguinte.

– Incentive o trabalho de empresas locais como a do Ricardo. Além de ajudar a comunidade local, o pequeno empreendedor geralmente foca no turismo de experiência e não no de massa, o qual lhe proporcionará uma vivência mais marcante, autêntica e única!

– Use e abuse do protetor solar e leve água. O sol castiga! – Não deixe lixo por onde passa, não colete mudas de plantas, conchas de moluscos, etc. A interferência mínima possível naquele ambiente garantirá que ele seja contemplado por outras pessoas após você. Seja um turista consciente!

Foz do rio São Francisco
Deixe apenas pegadas, leve somente memórias!

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