Bratislava,  Eslováquia,  Europa

Bratislava – Dia 1

31/03/2018 – Sábado

Chegou a hora de partir. Acordamos e estava um dia lindo. Já estava com saudades de Viena e nem tinha ido embora ainda! Nosso busão para Bratislava partia às 10h30 da Rodoviária Erdberg. Para chegarmos lá tínhamos que pegar um bondinho e depois o metro. Meia horinha a gente tava lá na porta!

Chegamos na rodoviária e ficamos meio perdidos. No telão falava que o busão saía da plataforma 2, se não me engano, mas a gente encontrava todas menos a 2. Depois de perguntar para algumas pessoas (por incrível que pareça não era muita gente que falava inglês lá), descobrimos que nossa “plataforma” na verdade era um ponto de ônibus, na avenida,  em frente à rodoviária.

O ônibus chegou pontualmente, aí já percebemos que as pessoas não respeitavam muito ordem de chegada e filas, mas como não tava lotado, conseguimos sentar juntos de boa. Ele ainda parou em mais dois lugares. Um deles era o aeroporto, e foi aí que lotou. Uma pessoa teve que sentar naquele banquinho retrátil que fica na parte da frente do ônibus junto ao motorista, pois apesar de não venderem bilhetes a mais, de alguma forma o lugar do cara sumiu.

A viagem foi de 1 hora, super tranquila, paisagens bonitas, e chegamos na rodoviária Most SNP de Bratislava, ao lado do centro histórico e embaixo da Nova Most, ponte turística de Bratislava.

Nosso airbnb ficava na saída do centrinho, mas do outro lado, então tivemos que cruza-lo inteiro com nossas malas, incríveis 800 metros (tipo, minúsculo!), já fomos tendo uma amostra do que nos esperava!

Chegando ao prédio ficamos um pouco perdidos, porque a recepção era numa entrada à direita da entrada dos apartamentos, mas nada que tenha feito a gente perder muito tempo, pois foi andar 100 metros procurando outra entrada e vimos a placa da recepção!

Na verdade nosso airbnb era um apart hotel (só alguns apartamentos do prédio). Era um quarto, sala, cozinha e banheiro. Adoramos o ap, muito confortável e limpinho. As meninas da recepção eram muito simpáticas e deram várias dicas. Como chegamos mais cedo que o horário do check in, deixamos as malas na recepção e fomos almoçar.

Fomos então direto ao Slovak Pub. Já tinha lido na internet sobre esse lugar, mas tivemos mais certeza que era lá que deveríamos ir quando as meninas nos disseram que lá a gente ia ter comida típica eslovaca por um bom preço.

O ambiente é rústico, bem gostoso, mas o atendimento não é lá essas coisas. Achei o pessoal meio mal humorado e demoraram uma vida para nos atender e levou outra vida para vir a comida (esquema slug food slow food). Mas a cerveja artesanal deles e a comida estavam incríveis!!! Então mesmo com o atendimento ruim, achei que valeu a pena. Nós pedimos o prato eslovaco, um espetinho de porco e duas cervejas e a conta ficou uns 30 euros com gorjeta. Sério, tava muito bom!

De barriga cheia, era hora de começar nossa andança. Para o primeiro dia tinha planejado visitar todo o centro histórico, o castelo e subir na ponte. Mas acabamos trocando a ponte por outros pontos programados para o dia seguinte por que o tempo tava um pouco fechado.

Iniciamos passando pelo Portal de Miguel (Michalská Veza), datado do século XIV, é o único portão que sobrou da antiga cidade medieval. Lá você encontra o Museu de armas e o marco zero da cidade. No alto de sua torre de 51 metros vemos o arcanjo Miguel matando um dragão. Do seu terraço tem-se uma vista bonita do centrinho (que não subimos).

Passamos pela Igreja Clarissine (1297), em estilo gótico, pelo Palácio de Leopold de Pauli (1775-76), hoje parte da biblioteca da universidade, até chegarmos na praça principal.

A praça principal (Hlavné námestie) é cercada por diversos prédios, alguns datando do século XV, um deles é o antigo prédio da prefeitura onde hoje funciona o museu da cidade, que pelo que li não é muito interessante. Dá para subir na torre do relógio, com entrada à parte do museu, mas a vista fica limitada à praça principal.

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Lá também encontramos diversos restaurantes, lojinhas e duas das estátuas mais conhecidas da cidade, a do Soldado de Napoleão e a de Schöne Náci. A primeira, reza a lenda, seria um soldado de Napoleão que se apaixonou por uma local e por lá ficou, tornando-se um produtor de espumantes! Seu nome era Hubert, o mesmo nome do espumante mais famoso da Eslováquia. A segunda tem duas versões: seria um deficiente mental que viveu na cidade no início do século XX que sempre se vestia elegantemente e cumprimentava as pessoas com seu chapéu. Ou também um local que se apaixonou por uma mulher que não o amava, ele enlouqueceu e começou a oferecer flores a estranhas na rua. Seja qual for, aparentemente essa pessoa existiu mesmo e é a única estátua em prata da cidade.

Há também uma terceira estátua na praça, de um soldado dentro de uma guarita, mas não achei a história dela.

Além disso, encontramos também a fonte de Maximilian, mais conhecida por fonte de Roland, construída em 1572, na qual no alto de sua coluna há um cavaleiro em sua armadura que representaria o cavaleiro Roland, um defensor dos direitos da cidade. Outros acham que seria Maximilian II, que foi imperador até 1564. Meio confusa essa história da Bratislava.

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Da praça principal sai alguns free walking tour que, infelizmente, não conseguimos fazer, por causa do horário.

Por ali também podemos encontrar várias estátuas vivas tão reais que vimos uma galera se assustando ao parar ao lado para tirar fotos!!!!

Continuamos andando pelas lindas ruelinhas com seus prédios antigos no entorno quando vimos um aglomerado de pessoas! Sim, era ela a estátua Cumil ou Man At Work!!! Antes de ir para Bratislava, tudo que eu sabia sobre lá era dessa estátua!! Era o que eu mais esperava na cidade! Não só eu, como todos os turistas!

Cumil quer dizer “O Observador”. Existem duas explicações para essa estátua (pra variar), uma seria um trabalhador da época do regime comunista que não tava muito preocupado em desempenhar seu trabalho, já que seu emprego estava garantido pelo governo. A outra, que era um operário interessado nas pernas das mulheres. De uma forma ou de outra, ele tava curtindo a vista e matando trabalho. Mas a história mais interessante que li sobre essa estátua foi que, por estar bem na esquina, ela foi “atropelada” algumas vezes, até que um dia decidiram colocar uma placa de advertência, que hoje em dia faz parte da experiência! De qualquer forma, fico imaginando se os carros saiam inteiros do episódio, pois é uma estátua em bronze nada pequena!

Passamos pelo Palácio do Primado (Primaciálny Palác), atual sede da prefeitura, construído em estilo neoclássico em 1781. Ali, na sala de espelhos, foi assinado por Napoleão e Franz I o Tratado de Pressburg que estabelecia a retirada das tropas francesas do território Austro-Húngaro. É possível acessar o pátio interno, onde encontramos a Fonte de São Jorge (Fontana Sv. Juraja) e da lá seguimos para o calçadão Hviezdoslavovi.

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Neste calçadão bem arborizado encontramos diversas embaixadas, o Teatro Municipal, o prédio da Filarmônica, outras estátuas e a saída de outro free walking tour. Neste até chegamos na hora que o grupo estava se reunindo, mas eles iam fazer um tour que não incluía o castelo, que era para onde seguiríamos dali.

Explicando brevemente os free walking tour, quase todas as cidades mais turísticas da Europa possuem esses tours. São locais, com muito conhecimento, que nos levam para conhecer vários pontos da cidade. Só que eles nos explicam não só sobre o ponto, mas também vão falando sobre a história da cidade, do país enquanto vamos caminhando. É uma aula de história na prática. Eu sou completamente louca por história, então eu simplesmente me apaixonei por estes tours, ainda mais que tivemos excelentes experiências neles. Com exceção de um (Temático judeu em Varsóvia), os demais nós amamos!!!! Existem os basicões, que passam pelos principais pontos turísticos, mas também temáticos, como história do período soviético, no caso de Bratislava. São vários grupos que fazem e, se você gostar, eles só pedem uma gorjeta ao final. Você paga se quiser e quanto quiser. Normalmente o povo dá uns 5 euros ou algo parecido.  Vou deixar aqui o link de dois que li que eram bons (Be Free Tours e Free Tour Bratislava), dai vcs olham no site os dias, horários e tours disponíveis! São empresas mesmo, que sobrevivem só da gorjeta dos turistas.

Antes de seguirmos para os demais pontos paramos na sorveteria Luculus, que havia lido que era um dos melhores sorvetes de Bratislava. Tem duas opções, entrar, sentar numa mesinha e pedir um café com algum doce ou pegar uma casquinha no balcão externo, que foi nossa escolha. Acho que pagamos uns 2 euros por bola e valeu a pena, sorvete delicioso mesmo!!

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Enquanto degustávamos nosso sorvetinho, passamos pelo Pálffy Palace (século XIX), que hoje abriga a Galeria Municipal e pela Catedral de São Martinho, em estilo gótico, construída em 1291, que fazia parte dos muros da cidade, sendo sua torre utilizada para defesa. Reis e rainhas húngaros foram ali coroados entre 1536 e 1830, quando Bratislava era capital do Reino da Hungria, por sua posição estratégica às margens do Danúbio. Uma curiosidade do local é que na ponta da torre não há uma cruz, mas uma réplica da coroa do rei da Hungria S. Stéfano.

Dali atravessamos a avenida e começamos a subir o morro para chegar ao castelo. Não sei qual foi o portão pelo qual entramos, mas são 4 possibilidades: Portão Sigismund, por onde saímos e o portão mais bem preservado dos 4, datado do século XV, Portão Vienna, Portão Nicholas e Portão Leopold.

O Castelo de Bratislava (Bratislavsky Hrad) fica no alto de uma colina, às margens do Danúbio, posição estratégica. Atualmente é residência oficial do presidente da República e abriga também o Museu Histórico. Ele possui 4 torres, símbolo da cidade, cada uma numa extremidade da edificação e, em dias limpos e claros, é possível ver a Áustria e a Hungria! Não foi nosso caso, o dia estava bem nublado… Sua construção iniciou-se no século XI, mas passou por diversas transformações em diferentes períodos da história. Já teve estilo gótico, renascentista, barroco. Infelizmente, foi bombardeado em 1809 pelas tropas de napoleão e em 1811 foi incendiado, ficando em ruínas até a década de 1950, quando iniciou-se sua reconstrução. Então quase nada do que vemos ali é original. Mas que não deixa de ser ainda uma bela edificação com uma belíssima vista, faça sol ou faça chuva!

Passeamos pelos jardins, aproveitamos a vista antes de começarmos a descer rumo à ponte Nova Most, literalmente ponte nova.

Como disse anteriormente, por causa do tempo nublado, meio chuvoso, decidimos não subir no deck de observação UFO (porque parece um disco voador) neste dia. Como ainda estava cedo, decidimos andar pela margem do Danúbio, até a Igreja Azul. No caminho passamos por alguns edifícios públicos, como o Museu de História Natural. No caminho, percebemos que ao sair da parte turística a cidade fica mais degradada, uma pena, tantos edifícios lindos, que só precisavam ser cuidados, muito parecido com o centro de São Paulo.

Chegamos na interessante Igreja de Santa Isabel ou igreja azul, por motivos óbvios! Absolutamente tudo é azul, uma graça! Tinha lido que o horário de entrada nela era sábado das 17h30 às 19h30 e domingo das 7h30-12h. Chegamos lá um pouco antes de 17h30, mas vi que tinha uma galera já entrando e decidimos entrar também. Tava uma galera em silêncio sepulcral lá dentro, uma senhora de preto no altar de olhos fechados mexendo os lábios, cada passo que a gente dava ecoava. Eu não sei exatamente o que estava rolando, talvez uma missa de sétimo dia ou algo do tipo, mas respeitamos e não tiramos fotos na parte interna, só sentamos um pouco para observa-la e saímos. Claro que a porta rangeu que nem uma gralha quando abrimos pra sair.

Começamos então a voltar para nosso ap, no caminho passamos pela Sinagoga Ortodoxa, em estilo cubista e monumento nacional cultural, única que restou na cidade (as outras três que haviam na cidade foram destruídas ao longo do século XX). No país há somente outras três ativas.

Chegamos no ap já estava noite. Estavamos cansados, decidimos ir ao mercado comprar alguma coisinha para comermos, pois estava quase tudo fechado, pois era véspera de páscoa. Mas o Google Maps fez a gente dar uma puta volta para chegar no mercadinho do outro lado da rua! Tudo bem, deu para tirar umas fotos noturnas do castelo e da ponte.

Bratislava têm alguns pub crawls que decidimos não participar, pois somos ultra fracos para bebida, especialmente destilados, mas ouvimos a galera ao longo da noite!! Se você tá numa pegada mais balada, Bratislava tem bastante a oferecer neste quesito!

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