Vista da Seul Tower ao fundo e eu estou numa escadaria com parte da muralha de Seul restaurada ao lado.

Primeira vez na Coreia do Sul: roteiro, apps essenciais e dicas práticas.

Ao planejar uma viagem para a Coreia do Sul, é comum surgir certa insegurança por conta das diferenças culturais, da língua e até do fato de que alguns aplicativos que usamos no dia a dia não funcionam tão bem por lá.

A boa notícia é que, com um pouco de planejamento, viajar pela Coreia do Sul é mais fácil do que parece. Neste post, reuni as principais informações para quem vai à Coreia do Sul pela primeira vez — desde uma visão geral de roteiro até dicas práticas que ajudam a evitar perrengues e tornam a experiência muito mais tranquila.

Precisa de visto para a Coreia do Sul?

Brasileiros não precisam de visto tradicional para entrar na Coreia do Sul, mas em alguns casos é necessário preencher o K-ETA (sim, tudo lá começa com K, do K-pop ao K-drama), uma autorização eletrônica solicitada online. As regras podem mudar, então vale sempre conferir antes da viagem.

Em breve escrevo um post com o passo a passo atualizado para solicitar o K-ETA do sofá de casa!

Quando ir para a Coreia do Sul

Para mim isso é um ponto bem pessoal. Para nós, adoradores do frio, o inverno é a época ideal. Frio, baixíssima temporada, atrações mais vazias, hotéis mais baratos, não precisar se preocupar em comprar tudo com antecedência.

Ah! Uma coisa interessante, o inverno na Coreia do Sul é seco, então não é tão comum nevar. Mas as temperaturas são bem baixas, em geral negativas.

Lago congelado com edifícios típicos coreanos ao fundo.

Mas como eu sei que nem todo mundo pensa como a gente, eu diria só para evitar o verão, época das férias escolares no hemisfério norte, logo altíssima temporada. Tudo mais caro, mais cheio, caótico. Você não quer estresse nas suas férias, né?

Assim como no Japão, a primavera traz a floração das cerejeiras e o outono as belíssimas cores.

Quantos dias valem a pena ficar na Coreia do Sul

Isso também depende do que você quer fazer. Se for somente Seul, 3 dias inteiros tão mais que suficientes, a não ser que seu foco seja conhecer profundamente a metrópole.

Se quiser incluir uns bate-e-volta, mais uns 2-3 dias.

Agora se quiser incluir cidades mais distantes como Sokcho ou Busan, coloque ao menos 2 dias para cada.

A ilha de Jeju é um must-do para quem ama contato com a natureza e esportes ao ar livre (queríamos muito, mas não rolou dessa vez). Se for o seu caso, pode incluir aí pelo menos uns 3 dias inteiros só para a Jeju.

Exemplo de roteiro de 9 dias pela Coreia do Sul durante o inverno.

Tivemos duas bases na viagem: Seul e Sokcho. Resumidamente nosso roteiro ficou assim:

Dia 1 – Chegada na Coreia do Sul. Você estará cansado da longa viagem e num fuso completamente diferente. Deixe esse dia para se adaptar a essa nova realidade. Se possível, chegue no fim da tarde, jante, tome banho, tome uma melatonina e durma até cansar.

Dias 2 a 6 – Seul com dois bate e volta para Nami Island e para Jisan Forest Resort para esquiar.

Dia 7 a 9 – Sokcho. Retorno para Seul no começo da noite e voo para a China.

Mudaria algo no meu roteiro?

Acho que a única coisa que realmente mudaria seria incluir mais um dia em Sokcho, para fazer as outras trilhas do parque.

Vista do Parque Seoraksan em Sokcho.
A trilha que fizemos foi para o topo daquele pico ali atrás!

Aplicativos essenciais

Um dos primeiros choques para quem viaja à Coreia do Sul é perceber que o Google Maps não funciona como estamos acostumados.

Ele até traça rotas de transporte público, mas se precisar fazer algum trecho a pé, já começa a complicar (ele presume que você voa de um ponto ao outro – se fosse assim, para que metrô, né?).

Por isso, alguns aplicativos locais acabam sendo essenciais durante a viagem, como o Naver Maps, que funciona tão bem quanto o Google Maps.

Além dele, um bom aplicativo de tradução faz toda a diferença, já que a busca funciona melhor quando os destinos são escritos em coreano.

Para não passar perrengue com mapas, transporte e tradução, vale conferir o post onde conto quais são os apps essenciais para viajar à Coreia do Sul e como usamos cada um deles na prática.

Comunicação

A comunicação não foi tão difícil como na China. Muitos coreanos falam ao menos inglês básico (ou até mesmo um inglês impecável) que já ajuda demais para o dia a dia.

Se precisar de algo mais detalhado, o tradutor ajuda demais. Por isso é importante sempre ter bateria no celular e internet funcionando!

Deslocamentos

Municipal

Seul, que acaba sendo o principal, e muitas vezes único destino da maioria dos turistas, tem uma rede ferroviária e rodoviária muito boas. Com a ajuda do Naver Map você vai para qualquer lugar facilmente.

Mas se você, por algum motivo, precisar de carro de aplicativo, saiba que o Uber não funciona por lá. Como alternativa, utilize o UT em grandes cidades ou o Kakao T, que funciona bem nacionalmente, mas não aceita cartão internacional.

Intermunicipal

Para distâncias maiores dê preferência ao avião ou trens bala.

O ônibus é uma boa opção para deslocamentos mais curtos, como Seul-Sokcho.

Você pode comprar as passagens diretamente na rodoviária ou em sites como Klook ou Trip.com, que possuem sites em inglês e português.

Nós no interior do ônibus entre Seul e Sokcho.
Ônibus super confortável entre Seul e Sokcho.

T-money

Esse é essencial para quem pretende usar o transporte público, pois você só consegue pagar as passagens com ele.

O T-money funciona como um bilhete único. Você compra o cartão em lojas de conveniência ou máquinas nas estações de metrô, carrega com um saldo e pode utilizá-lo nos trens, metros e ônibus do país inteiro.

Cartão T-money

Além disso, alguns estabelecimentos podem aceitá-lo como forma de pagamento.

Internet

Há alguns anos utilizamos o plano Vivo Mundo nas nossas viagens internacionais e nunca tivemos problema. Verifique se sua operadora oferece esta opção.

Caso não ofereça, prefira comprar o SIMcard diretamente no aeroporto logo na chegada, que costuma ser mais barato que os SIMcards internacionais. Mas sei que estes são mais práticos. Então fica a seu critério.

Como levar dinheiro para a Coreia do Sul

A aceitação de cartões de crédito internacional é ótima. Durante a viagem toda utilizamos só o cartão da Wise (mas levamos o Nomad como backup) e não tivemos nenhum problema com recusa de pagamentos.

Importante converter real diretamente para won conforme vai precisando, para não perder dinheiro na dupla conversão e minimizar a chance de sobrar muito Won no fim da viagem.

Você vai precisar de dinheiro em espécie para carregar o T-money. Além disso, é bom ter um pouco também se você for para cidades menores e até mesmo para comprar algo em carrinhos de rua.

Tente estimar quanto você possa precisar, inclua uma gordurinha e realize somente um saque, pois as taxas dos caixas eletrônicos são um pouco altas.

Hospedagem

A rede ferroviária em Seul é tão boa que você só precisa se preocupar em ficar próximo a uma estação de metrô, seja sua primeira ou enésima vez na Coreia do Sul.

A área mais turística é a de Myeongdong, logo mais cara. Nosso Airbnb ficava bem perto da catedral de Myeongdong. Ali não era uma área tão agitada, mas tinha tudo por perto e fácil acesso aos pontos turísticos, aeroporto e rodoviária.

Já em Sokcho decidimos ficar pertinho da rodoviária para facilitar nosso deslocamento com as malas, já que lá não tem metro, e ficava do lado do ponto de ônibus que nos levava a Seoraksan, o motivo que nos levou à cidade.

Comida

Já sabíamos de antemão que a comida na Coreia do Sul era apimentada. Logo, se você não é muito chegado numa picância, pode ser que você não curta tanto assim. Além disso, a comida não costuma ser muito gordurosa.

Para o meu paladar, achei a comida coreana muito saborosa, com base em arroz ou noodles, vegetais, proteína, principalmente porco e frango. A carne vermelha costuma ser um pouco mais cara.

O churrasco coreano foi uma experiência super interessante e recomendada. Você pode escolher entre carne vermelha e/ou carne de porco e vem vários acompanhamentos.

Churrasco coreano

Os coreanos também adoram um café, itens de padaria, então não vai ter sofrimento no café da manhã como tivemos no Japão e na China!

Hábitos do dia a dia

O coreano é um meio termo entre o japonês e o chinês. Não são tão silenciosos como os japoneses, mas bem mais discretos que os chineses.

No geral são educados, mas não são tão hospitaleiros quanto os japoneses e chineses. Inclusive tivemos um episódio bem desagradável com um motorista de ônibus. Aguardem os Perrengues Bárbaros na Coreia do Sul!

Gorjetas podem ser consideradas como insultos (também vale pra Japão e China).

Os banheiros são gratuitos, sempre limpos e com papel higiênico. Não tenha medo de se hidratar! Você não vai falir com idas ao banheiro como ocorre na Europa!

Não é recomendável beber água da torneira. Para não produzir tanto lixo, leve sua garrafinha reutilizável e compre galão grande de água. O planeta e seu bolso agradecem!

Não há muitas lixeiras espalhadas pela cidade e quando aparecem, o lixo deve ser descartado corretamente.

Tax refund

Sim, você pode receber 7% de volta do que gastou na Coreia do Sul!

São elegíveis as compras acima de 15000 wons em lojas que tenha selo “Tax Free” ou “Tax Refund”. Não esqueça de pedir o formulário para o lojista e de portar o passaporte.

Viu? Sua primeira viagem para a Coreia do Sul não será um bicho de sete cabeças!

Sim, há algumas diferenças culturais, incluindo tecnológicas, mas com esse guia grande parte de possíveis dificuldades já foram resolvidas!

Nos posts seguintes vou detalhar alguns pontos para que você não passe por nenhum perrengue e possa ter uma experiência bárbara coreana!

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