Pista para iniciantes no Jisan Forest Resort, local para esquiar perto de Seul

Onde esquiar perto de Seul: bate-e-volta para o Jisan Forest Resort (e um possível golpe que caímos)

Quando decidimos viajar para a Coreia do Sul no inverno, uma das minhas maiores dúvidas era: onde esquiar perto de Seul? Eu sabia que o país tinha estações olímpicas incríveis, mas, para o nosso roteiro, precisávamos de algo prático, que pudesse ser feito em um bate e volta sem exigir pernoite.

Depois de muita pesquisa, o Jisan Forest Resort se mostrou a melhor opção. A apenas 1h30 de Seul, ele é um dos resorts de esqui favoritos para quem quer aproveitar a neve sem perder muito tempo no deslocamento.

Quem me acompanha no blog sabe que eu sou do time do “faça você mesmo”. Adoro planejar cada detalhe da logística, entender os ônibus locais e desbravar os destinos no meu ritmo. Mas, para conhecer o Jisan e ter nosso primeiro contato com o esqui, decidimos abrir uma exceção e contratar uma agência.

Neste post, vou te contar como funciona a logística desse passeio, quanto custa e como foi nossa experiência. Mas já deixo um alerta: nem tudo foi deslizar suavemente na neve. Vivemos uma situação que até hoje não sabemos dizer se foi má sorte ou golpe.

Este post faz parte da série Coreia do Sul. Para te ajudar no planejamento, não deixe de ler também:

Primeira vez na Coreia do Sul: roteiro, apps essenciais e dicas práticas.
Apps essenciais para viajar à Coreia do Sul: sem perrengue para se locomover e se comunicar!
T-Money na Coreia do Sul: Guia prático para usar do aeroporto ao interior sem erro

Onde esquiar na Coreia do Sul perto de Seul: por que escolhemos o Jisan Forest Resort

    A pesquisa por estações de esqui na Coreia do Sul perto de Seul geralmente aponta para três lugares: Vivaldi Park, Elysian Gangchon e o Jisan Forest Resort. Escolhemos o Jisan por ser o mais próximo e ter uma estrutura excelente para quem, como nós, nunca tinha colocado um esqui nos pés.

    Ele é uma estação menor e mais compacta, o que facilita muito a locomoção lá dentro. Você não perde tempo se achando em complexos gigantescos, tudo está à mão: as pistas, os restaurantes e o aluguel de equipamentos.

    Dá para ir por conta própria?

    Sim, é possível chegar ao Jisan de transporte público via Icheon, mas não recomendo. A logística envolve baldeações e o tempo de viagem dobra. Para um bate e volta, o custo-benefício de contratar a agência (que já te deixa na porta com o equipamento reservado) compensa cada centavo. Menos tempo no ônibus significa mais tempo na neve!

    Agora se você pretende passar mais dias, é interessante saber que existe essa opção!

    Tour de bate e volta para esquiar perto de Seul
    Felizes na van empolgados em esquiar pela primeira vez!

    Quando é a temporada de esqui na Coreia do Sul

    A temporada de esqui na Coreia do Sul normalmente vai de final de novembro até o início de março, dependendo das condições de neve de cada inverno.
    Os resorts próximos de Seul, como o Jisan Forest Resort, costumam operar mesmo quando não neva muito, pois utilizam neve artificial para manter as pistas abertas.

    Como contratar e quanto custa o bate e volta para esquiar perto de Seul

    Fechamos nosso passeio para o Jisan Forest Resort de dia inteiro através do site Klook, o que mais recomendo para contratar passeios na Coreia do Sul.

    Escolhemos o pacote B-3 que incluía:

    • transfer ida e volta (havia 3 opções de pontos de encontro, escolhemos o mais próximo do nosso airbnb – dava para ir a pé);
    • 1 hora de aula básica de esqui;
    • Passe da esteira e teleférico;
    • Aluguel de equipamento completo: Botas, esquis e bastões – exceto capacete e óculos.
    • Jaqueta e calça impermeáveis (muito bem cuidadas, por sinal).
    • Guia em inglês.
    Passes para uso ilimitado do teleférico no Jisan Forest Resort

    Importante: Luvas e gorros não são alugados por higiene. Se você não levar, terá que comprar nas lojinhas do resort, e os preços lá são de “estação de esqui”, ou seja, mais salgados!

    Nós não usamos a roupa e nem compramos as luvas lá, pois já tínhamos de outras viagens, apesar de nunca termos esquiado. Mas essas roupas para prática de esportes de inverno são ótimas opções para fazer trilhas no frio, como a Ulsanwabi Rock no Parque Seoraksan, uma das opções do que fazer em Sockho. Se você for dessa pegada, vale o investimento!

    Há diversas opções de pacote, inclusive para quem quer praticar snowboard, no mesmo link. Esse era o mais completo.

    Nossa guia, motorista e instrutora foi a Ruby. Muito simpática e atenciosa. Ela nos ajudou demais na hora do perrengue.

    Como foi o passeio na prática

      Achamos muito bem organizado. A viagem foi numa van. Não era tão confortável como um ônibus, mas compensou por sermos um grupo pequeno, se não me engano 12 pessoas.

      A loja onde alugamos os capacetes e óculos — e onde quem precisava podia comprar luvas — ficava em frente ao parque. O aluguel custou 20000 wons por pessoa. De lá caminhamos para o Jisan Resort onde pegamos nossas roupas e demais equipamentos, já incluídos no pacote.

      Loja em frente ao Jisan Forest Resort para alugar o capacete e óculos.

      Essa parte foi um pouco demorada, cerca de 1 hora até todos estarem prontos para iniciar a aula.

      A aula foi bem básica mesmo, acho que foi a única parte que pecou o tour. Aprendemos como colocar e tirar os esquis, como levantar, como cair e o principal, como frear. Para tal ficamos um bom tempo numa rampa curtinha de treino para treinar. A Ruby nos acompanhou por um tempo e depois ficou cada um por si.

      Quem havia comprado o passe de esteira e/ou teleférico podia subir para se aventurar nas duas pistas de iniciantes.

      Tivemos o período das 11 às 16h para fazermos o que quiser.

      Minha opinião sobre o Jisan Forest Resort

      Mesmo sem ter nevado muito nos últimos dias, eles mantêm as pistas com neve artificial.

      O parque tem boa estrutura a curta distância, com algumas opções de lanchonetes, banheiros, mesas de piquenique e toda a parte de aluguel de roupas e equipamentos.

      Há também diversos armários pagos para guardar seus pertences, entre 1000 a 2000 won, dependendo do tamanho do armário. Leve dinheiro em espécie para os armários (mas também se não tiver, tem ATMs por lá também). Há máquinas para trocar cédulas por moedas ao lado dos armários.

      Os teleféricos sobem 4 pessoas de cada vez e as filas até que andavam rápido.

      Subindo teleférico no Jisan Forest Resort

      Para quem está planejando esquiar pela primeira vez na Coreia do Sul, o Jisan Forest Resort é uma das opções mais práticas para um bate e volta saindo de Seul. Não posso opinar sobre as pistas para esquiadores mais experientes, mas há pistas intermediárias e avançadas no parque também.

      Outra opção muito interessante de bate e volta saindo de Seul é para Nami Island.

      O perrengue que quase estragou o passeio: má sorte ou golpe?

      Após cerca de 1h30 na pista de treino, perguntamos para a Ruby se ela achava que já tínhamos condições para subir. Ela disse que sim, mas sugeriu a pista da esquerda do teleférico, pois era a pista mais fácil para iniciantes.

      Super animados e ainda bastante desengonçados, subimos o teleférico pela primeira vez.

      A queda para o prejuízo

      Porém, mal cheguei no meio da pista, já perdi o controle e comecei a descer. Com medo, fiz o que a Ruby havia nos ensinado: me joguei de lado no chão, pois naquele momento não estava conseguindo frear. Aquela ação era a mais segura não só para mim, mas também para os outros esquiadores.

      No entanto, havia um esquiador parado em pé bem no meio da pista. Ele estava somente com um dos esquis calçado, o outro estava no chão, solto.

      Fui escorregando na direção dele, gritando e ele não moveu um fio de cabelo. Ficou no caminho até que eu passei por cima do esqui que estava solto e finalmente parei, cerca de uns 2 metros à frente.

      Não havia batido nele, só no esqui solto. Levantei e segui na minha primeira descida, até que o esquiador me abordou, perguntando se eu estava num tour. Segundo ele, eu havia quebrado o esqui dele. Ele queria falar com a minha guia, pois não falava muito bem inglês.

      Chegamos na base da pista, mandamos um WhatsApp para a Ruby explicando o ocorrido. Ela havia saído para abastecer a van e acabou demorando cerca de meia hora para nos encontrar.

      Nesse meio tempo, tentando nos comunicar, ele nos disse que era esquiador profissional, que aquele era equipamento de trabalho dele e que a gente precisaria pagar pelo dano.

      Nada mais justo, eu havia quebrado, a gente pagaria pela peça de reposição sem problema. Ele falou que seria algo em torno de 280 – subentendemos mil wons – (cerca de R$1000,00). Era caro? Sim. Mas ok. Pagaríamos.

      Entendemos errado

      Finalmente a Ruby chegou, explicamos tudo e ela foi conversar com ele.

      Ele queria que a gente comprasse um equipamento novo, que custaria 2 milhões e 800 mil wons (cerca de R$10.500). Eu imediatamente – como assim? Ele havia falado 280 (mil). Ela nos explicou que era assim que eles falavam os valores.

      Nessa hora bati o pé, disse que de forma alguma pagaria um equipamento inteiro para ele, com certeza havia peça de reposição. A peça que quebrou era o encaixe para a bota.

      A Ruby tentou falar com o dono da agência, acionar o seguro deles, já que o nosso não cobria por equipamentos, só pela nossa saúde, mas não rolou. Ela de verdade fez de tudo para encontrar uma solução.

      O rombo e o perrengue que não acaba

      Após cerca de meia hora, eles finalmente encontraram a peça de reposição. Provavelmente o par da peça, porque a brincadeira saiu 750 mil wons (cerca de R$3000,00).

      Agora a saga foi conseguir pagar esse dinheiro. No Brasil era madrugada, não conseguia transferir essa quantidade de dinheiro para nossa conta Wise por questões de segurança.

      Tive que juntar dinheiro de algumas contas para conseguir chegar no valor. Na hora de sacar, por algum motivo do além, o caixa não autorizava o saque.

      Explicamos a situação para o cara, mas ele disse que a gente não ia sair de lá sem pagá-lo. A Ruby veio então com a ideia de transferirmos para ela e ela transferir para ele. Finalmente deu certo e o cara desapareceu das nossas vidas.

      Porque achamos que pode ser um golpe.

      A Ruby nos falou que achou o comportamento do esquiador muito estranho.

      Além disso, o dono da agência disse que já tinha ouvido duas situações muito semelhantes como essa de outros turistas.

      • O que um esquiador profissional fazia numa pista de iniciante sozinho?
      • Por que ele não saiu do caminho quando me ouviu gritando e descendo na direção dele? Sim, ele me viu.
      • Será que o esqui dele já não estava quebrado e ele fez isso para conseguir o dinheiro para um novo equipamento?

      Nunca saberemos.

      Só sei que me senti a pior pessoa do mundo naquele momento e por alguns dias. Era apenas o quinto dia de uma viagem de 30 dias e já tinha acontecido aquilo.

      Isso me afetou o restante da viagem. Cada vez que ia gastar dinheiro lembrava disso. Dai já não queria mais gastar. Senti culpa, raiva, frustração.

      Se algo parecido acontecer com você

      • Registre um boletim de ocorrência (BO). Na hora nem pensei nisso, mas depois fiquei pensando que se eu tivesse sugerido ir na delegacia fazer um BO, se fosse golpe mesmo, o cara ia se mandar. O BO é necessário para acionar o seguro depois. Há necessidade do registro da ocorrência oficialmente.
      • Faça um seguro que inclua equipamentos. Depois fui ver que alguns planos de seguro viagem para esportes de inverno permitem incluir equipamentos próprios e de terceiros.
      • Mantenha a calma, por mais difícil que pareça. Apesar dos pesares, consegui manter minha sanidade (não sem antes dar uma pequena surtada) e ser firme na questão de que não pagaria pelo equipamento completo.
      • Vá com um guia ou tour se for sua primeira vez praticando o esporte. Se a gente tivesse ido por conta própria, talvez a gente tivesse perdido os quase 11 mil reais. Estávamos num país cujas leis desconhecíamos, ficamos receosos e podemos acabar cedendo para não piorar a situação. A Ruby foi nossa anja da guarda.

      Valeu a pena no final?

      Esteira para subir a pista para iniciantes no Jisan Forest Resort
      Usamos até a esteira, que é beeeem devagar!

      Depois que o cara foi embora, eu sequei as lágrimas, olhei para o Yu e disse: “Vamos fazer valer!”.

      Não deixamos o prejuízo paralisar o resto do dia. Passamos as 4-5 horas seguintes esquiando e, no fim, eu já estava descendo a pista toda sem cair nenhuma vez! A superação física ajudou a curar um pouco a ferida no bolso.

      Saldo da nossa experiência no Jisan Forest Resort

      Apesar do perrengue bárbaro e do prejuízo financeiro, o saldo final do nosso bate e volta foi de muito aprendizado.

      Adoramos o Jisan Forest Resort, uma ótima opção para quem quer esquiar pela primeira vez perto de Seul. A estrutura é boa, o acesso é relativamente rápido para um bate e volta e o resort é compacto, o que facilita bastante para iniciantes.

      Se eu voltaria? Com certeza! Mas agora com a bagagem de quem sabe que, em uma pista de esqui, a atenção precisa ser redobrada — não só com a nossa técnica, mas com quem está ao nosso redor.

      Espero que esse relato te ajude a planejar seu dia de neve com mais segurança e que você aproveite cada minuto (e cada descida!) — sem perrengues, de preferência 😉

      No alto da pista para iniciantes no Jisan Forest Resort

      FAQ – esquiar perto de Seul

      Dá para esquiar perto de Seul?

      Sim. Existem algumas estações de esqui a cerca de 1 a 2 horas de Seul, o que permite fazer um bate e volta durante o inverno. Entre as mais populares estão o Jisan Forest Resort, o Vivaldi Park Ski World e o Elysian Gangchon Ski Resort.

      Precisa saber esquiar para visitar o Jisan Forest Resort?

      Não. O Jisan Forest Resort tem pistas específicas para iniciantes e oferece aulas básicas de esqui e snowboard. Nos tours de bate e volta saindo de Seul normalmente está incluída uma aula introdutória para aprender o básico.

      Vale a pena fazer um bate e volta para esquiar saindo de Seul?

      Sim. Resorts como o Jisan Forest Resort ficam relativamente perto de Seul. Para quem tem poucos dias na Coreia do Sul, é uma forma prática de incluir neve no roteiro.

      Vale a pena contratar uma agência para esquiar perto de Seul?

      Sim, vale muito a pena. O custo-benefício do transporte direto, aliado à facilidade de já ter o equipamento e as roupas reservadas, economiza horas do seu dia. Além disso, como vimos no meu relato, ter um guia local pode ser um diferencial de segurança indispensável em caso de imprevistos ou acidentes.

      O que devo levar para o dia de esqui (e o que não alugam lá)?

      As agências alugam o “grosso”: esquis, botas, bastões, calças e jaquetas. No entanto, por questões de higiene, luvas, gorros e protetor de pescoço não são alugados. Você pode levar os seus ou comprar nas lojinhas do resort. Não esqueça do protetor solar, pois o reflexo do sol na neve queima bastante o rosto!

      Quando começa a temporada de esqui na Coreia do Sul?

      A temporada de esqui na Coreia do Sul normalmente vai do final de novembro até o início de março, dependendo das condições climáticas de cada inverno. Muitos resorts utilizam neve artificial para manter as pistas abertas mesmo quando neva pouco.

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